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Aline Barros é alvo de um processo

Aline Barros é alvo de um processo

segunda, 10 de setembro de 2018

Um dos maiores nomes da música gospel nacional, Aline Barros é alvo de um processo movido por uma ex-backing vocal de sua banda de apoio que diz ter sido demitida por ser gay. Ela nega.
 
Rejane Silva de Magalhães pede indenização de R$ 1 milhão, alegando também não ter recebido direitos trabalhistas durante os dez anos em que prestou serviços. O caso, que corre na 4ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, ainda não foi julgado.
 
Aline enviou comunicado ao G1 falando sobre o caso nesta sexta-feira (31). A cantora disse que recebeu a notícia da ação movida pela ex-backing vocal com "surpresa e decepção". Ela também disse que Rejane não era contratada e "prestou serviços eventuais".
 
A estrela gospel acrescentou que a acusação de que a backing vocal foi demitida por ser gay é "fantasiosa". "Minha crença cristã jamais me permitiria agir de forma ilegal, desleal e/ou preconceituosa com quem quer que fosse", diz Aline.
 
Veja o comunicado de Aline Barros:
"Após tomar conhecimento do teor da matéria veiculada pelo site G1 no dia de ontem, sinto-me na obriga a vir a público para refutar as alegações ali expostas. E o faço não somente em respeito ao meu público, mas, em especial, em respeito a todos aqueles que conhecem meu trabalho, minha índole, minha postura e minha fé.
 
Foi com enorme surpresa e decepção que, meses atrás, tomei conhecimento da existência da reclamação trabalhista movida pela Sra. Rejane Magalhaes que, efetivamente, prestou serviços eventuais de backing vocal em minhas apresentações no decorrer de alguns anos.
 
Nesse ponto cabe um primeiro esclarecimento: na ação, a Sra. Rejane alega lhe serem devidas férias, décimo terceiro salário e outras verbas mais, em razão de nunca ter tido sua carteira de trabalho assinada. Contudo, a afirmação não corresponde aos fatos, uma vez que NUNCA houve rela ao de emprego entre aquela profissional e minha empresa.
 
 
A Sra. Rejane efetivamente atuou como backing vocal em minhas apresentações, mas sua atuação se dava unicamente quando sua agenda profissional era compatível com a minha e quando ela assim o desejasse, tendo ocorrido inúmeros apresentações sem sua presença, cabendo dizer, ainda, que durante todo esse período, a mesma atuava como backing vocal de outros artistas.
 
Ainda mais fantasiosa é a alegação de que nossa relação tenha se encerrado em razão de minha equipe ter tomado conhecimento da orientação sexual da Sra Rejane.
 
A escolha e contratação dos profissionais que atuam em nossas apresentações, seja aqueles que efetivamente compõe nossa equipe e possuem rela ao empregatícia conosco, seja aqueles que nos prestam serviços eventuais (caso da Sra. Rejane) se dá unicamente com base em sua capacidade e atuação profissional, não nos dizendo respeito os detalhes de suas vidas particulares, desde que tais detalhes não influenciem no objetivo geral dos eventos.
 
Aqueles que conhecem minha trajetória sabem da lisura e respeito com que trato os profissionais que comigo atuam, até mesmo porque, sem eles, nunca chegaria onde cheguei e a todos eles sou grata. Ademais, minha crença cristã jamais me permitiria agir de forma ilegal, desleal e/ou preconceituosa com quem quer que fosse, sendo absolutamente absurdas as alegações trazidas na ação judicial e novamente reproduzidas na matéria do G1 datada do dia 30/08/2018.
 
Por todos esses motivos, renovo aqui minha indignação contra os argumentos fantasiosos, maldosos e irresponsáveis que são apresentados naquela ação judicial, sendo certo que todos os pontos aqui mencionados serão alvo de provas e esclarecimentos que serão oportunamente apresentados em juízo, havendo, de minha parte, a mais plena convicção de que a JUSTIÇA e a VERDADE prevalecerão".
 
Entenda o caso
Ao G1, o advogado Giovanni Ítalo de Oliveira, que representa Rejane, afirmou que "o processo em si está motivado pelo próprio não reconhecimento do vínculo empregatício". De acordo com ele, sua cliente sofreu ainda assédio moral: "Foi demitida por discriminação."
 
 
Ítalo de Oliveira diz que "Rejane trabalhou na banda da Aline entre 2005 e 2015, e não teve reconhecido nenhum direito: fundo de garantia, 13º salário, férias".
 
"Não bastasse isso, começou a ser discriminiada. Aline e Gilmar, que é marido da Aline e cuida da carreira dela, não convocavam mais para os shows e usaram de todas as formas possíveis para que Rejane se demitisse. Isso acabou não levando efeito, porque ela resistiu. Mas acabou sendo sumariamente demitida. A única razão de tersido demitida foi a opção sexual dela."
 
O advogado afirma que não sabe quem contou a Aline Barros que Rejane é homossexual. "Não conheço a fonte, acabou vazando provavelmente foi alguém da Igreja. Era difícil, porque a Rejane nunca chegou a assumir a homossexualidade – ela é evangélica, e o mundo gospel não aceita gay. A Aline e o Gilmar perguntaram se ela era homossexual. Ela negou, e mesmo assim começou esse tratamento de discriminação."
 
A audiência mais recente do processo aconteceu em 2 de agosto. O termo da audiência informa que estiveram presentes Rejane Silva e o advgado dela.
 
Da outra parte, Aline Barros se ausentou "em razão de compromissos profissionais, nesta data, no Rio Grande do Sul". O marido dela, no entanto, compareceu. Ele é o ex-jogador de futebol Gilmar Jorge dos Santos, sócio da cantora no Grupo Genesis de Produções e Eventos Itinerantes LTDA e na Aline Barros Produções Artísticas S/S LTDA. Ambas as empresas, assim como Aline, são citados no processo.
 
De acordo com o advogado de Rejane Silva, Gilmar dos Santos "negou tudo" em naquele depoimento.
 
O termo diz, por fim, que uma nova audiência foi marcada para 25 de outubro, quando testemunhas devem ser ouvidas.
 
Sobre Rejane, Oliveira afirma: "Mesmo sendo homossexual, ela é evangélica, participa inclusive de uma comunidade evangélica no Rio. Ela está tendo uma redução absurda depois que começou a ser divulgado essa questão da opção sexual dela. Deixou de ser chamada para outras bandas, vem sofrendo inclusive financeiramente e moralmente por causa disso".
 
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